Brasil se prepara para reforma ortográfica

junho 14, 2010 | Artigos



O fim do trema está decretado desde dezembro do ano passado. Os dois pontos que ficam em cima da letra u sobrevivem no corredor da morte à espera de seus algozes. Enquanto isso continuam fazendo dos desatentos suas vítimas que se esquecem de colocá-los em palavras como freqüente e lingüiça e assim perdem pontos em provas e concursos. O Brasil começa a se preparar para a mudança ortográfica que além do trema acaba com os acentos de vôo lêem heróico e muitos outros. A nova ortografia também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k w e y. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa –uma população estimada hoje em 230 milhões– e têm como objetivo aproximar essas culturas. Não há um dia marcado para que as mudanças ocorram –especialistas estimam que seja necessário um período de dois anos para a sociedade se acostumar. Mas a previsão é que a modificação comece em 2008. O Ministério da Educação prepara a próxima licitação dos livros didáticos que deve ocorrer em dezembro pedindo a nova ortografia. Esse edital para os livros que serão usados em 2009 deve ser fechado com as novas regras afirma o assessor especial do MEC Carlos Alberto Xavier. É pela sala de aula que a mudança deve mesmo começar afirma o embaixador Lauro Moreira representante brasileiro na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa). Não tenho dúvida de que quando a nova ortografia chegar às escolas toda a sociedade se adequará. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971 mas ela entrará em vigor aos poucos. Tecnicamente diz Moreira a nova ortografia já poderia estar em vigor desde o início do ano. Isso porque a CPLP definiu que quando três países ratificassem o acordo ele já poderia vigorar. O Brasil ratificou em 2004. Cabo Verde em fevereiro de 2006 e São Tomé e Príncipe em dezembro. António Ilharco assessor da CPLP lembra que é preciso um processo de convergência para que a grafia atual se unifique com a nova. Não se podem esperar resultados imediatos. A nova ortografia deveria começar também nos outros cinco países que falam português (Portugal Angola Guiné-Bissau Moçambique e Timor Leste). Mas eles ainda não ratificaram o acordo. O problema é Portugal que está hesitante. Do jeito que está o Brasil fica um pouco sozinho nessa história. A ortografia se torna mais simples mas não cumpre o objetivo inicial de padronizar a língua diz Moreira. Hoje é preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais: com a grafia de Portugal e do Brasil. Não faz sentido afirma o presidente da Academia Brasileira de Letras Marcos Vilaça. Para ele Portugal não tem motivos para a resistência. Fala-se de uma pressão das editoras que não querem mudar seus arquivos e de um conservadorismo lingüístico. Isso não é desculpa afirma.

Jonatan Casoni Toledo
Portal de Apucarana
Educação.

Outros Artigos

Comente

E-

Twitter de Apucarana